Internet das coisas e o fim da privacidade

Dá primeira até a quarta (e atual) revolução industrial somam-se quase três séculos, mas duas características, referentes aos homens e não a suas invenções, marcaram o período: a dinâmica de inovações ficou cada vez mais rápida e a familiarização das sociedades, com tal velocidade, ainda não é completamente aderente ao novo contexto tecnológico que vivemos, provavelmente por desigualdades sociais que dificultam a conexão à rede mundial de computadores e o acesso aos dispositivos.

Até o momento, a fronteira mais distante que conquistamos, quando trata-se de tecnologia, talvez seja a que ambiciona a se aproximar ainda mais de nós e do nosso cotidiano: a chamada Internet das Coisas.

O que é internet das coisas?

A internet das coisas é o nome completo dado a quaisquer objetos físicos conectados à rede e que se comuniquem entre si e também com o usuário. Pode ser qualquer coisa mesmo, inclusive dispositivos que, atualmente, não podemos nem supor ocupando espaço nessa tecnologia.

Mas, talvez, cause surpresa imaginar que há mais coisas conectadas à internet que pessoas. Em 2020, por exemplo, o número de aparelhos nessa situação deve ser de 12 bilhões, enquanto não seremos ainda nem 8 bilhões de habitantes no planeta.

Benefícios da IoT (internet das coisas)

Imagine uma rotina de 360º de conectividade entre você e seus dispositivos. Em um dia de trabalho, por exemplo, quão interessante seria ser despertado por uma cortina conectada à sua agenda, que sabe quando você precisar acordar. E, enquanto a cafeteira já prepara o seu café – pois, ao conhecer seus hábitos, compartilhados por todos os dispositivos conectados à internet das coisas, ela sabe que em breve você estará na cozinha à espera da sua bebida matinal –, o espelho apresenta uma seleção de roupas com as peças que estão no armário, considerando a previsão do tempo para o dia e os compromissos no escritório.

Mundo perfeito, não? Com a IoT é possível imaginar qualquer coisa!

O tempo otimizado nas tarefas realizadas pelos dispositivos é uma vantagem incontestável, que pretende proporcionar mais qualidade de vida em nossas rotinas. E, além disso, tornar o planeta mais responsivo e inteligente.

O lado B da IoT

Infelizmente, nem tudo são flores, e a internet das coisas também tem seus espinhos. O mote principal dessa tecnologia é a comunicação entre dispositivos para que se integrem de forma completa ao nosso cotidiano e, ao permitir tal compartilhamento de nós para eles e entre eles, ampliamos um problema com o qual já temos convivência: a falta de privacidade.

Os nossos smartphones já são uma amostra do que o futuro pode nos reservar. Com o acesso a nossos dados pessoais – que vão muito além de nome e e-mail –, perdemos o controle sobre uma parte relevante de nós mesmos. É possível ver por nossas câmeras e ouvir nossas conversas apenas ao permitir a liberação desses recursos para aplicativos. A Lei Geral de Proteção de Dados, cujo prazo para entrar em vigor no Brasil é agosto de 2020, pretende proteger o usuário do aproveitamento malicioso dos dados. Mas o que fazer quando as informações são liberadas conscientemente por nós para as máquinas conectadas à internet das coisas?

Ao depositar detalhes de nossa vida e cotidiano nesses dispositivos, estaremos à mercê de hackers que, diferentemente do quadro atual, podem ter acesso a todas as nossas informações ao invadir uma televisão. Como? Lembre-se: a internet das coisas é uma rede de compartilhamento entre objetos, assim, seu smartphone e cafeteira estão ligados a uma mesma conexão, dividindo dados.

Soma-se a isso a experiência de como a segurança de dados irá se comportar nesse novo contexto: afinal, hoje somos bombardeados de informações, especialmente as publicitárias, a partir do que detectam como aderente a nosso perfil, tudo oriundo de grandes big datas que orientam leituras inteligentes dos dados que disponibilizamos.

Chegamos a uma conclusão?

O crescimento e desenvolvimento da internet das coisas é irrefreável: faz parte do caminho pelo o qual a humanidade avança. Porém, de forma alguma, ela é uma criação prejudicial, na verdade, seu objetivo principal é facilitar o dia o dia.

Porém, responsabilidade e segurança são os ingredientes que podem fortalecer a IoT. Responsabilidade para compreender as fronteiras da privacidade, sem ferir um direito fundamental da humanidade, e segurança para garantir a inexistência de frestas que facilitem o trabalho de hackers e empresas que desejem furtar nossos dados.

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